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Dia 08 de março - ONU e Dia das Mulheres

“Invista nas mulheres. Acelere o progresso.” (ONU 2024) e o investimento das mulheres em sua saúde financeira.

 

De forma muito feliz a ONU celebra o dia 08 de março com o tema “Invista nas mulheres: acelere o progresso”, concluindo que, diante dos desafios contemporâneos enfrentados pela humanidade - por ela apontados como os conflitos políticos, passando pelos níveis extremos de pobreza e chegando aos impactos nas mudanças climáticas -  o investimento nas mulheres com o intuito de concretizar a igualdade de gêneros, será capaz de acelerar a transição para um mundo mais saudável, igualitário e seguro.

 

A análise dos números é impactante e justifica o movimento: são necessários US$360 bilhões adicionais por ano para a necessária igualdade de gênero plena; a redução das diferenças de gênero no mercado de trabalho poderia aumentar o PIB per capita em 20%; a redução das diferenças nos cuidados e a expansão dos empregos decentes poderia gerar quase 300 milhões de empregos até 2035; a manutenção do ritmo atual 342 milhões de mulheres e meninas poderão estar vivendo em extrema pobreza.

 

Ao fazer a leitura do tema e dos dados trazidos, me foi automática a associação: investimento nas mulheres, investimentos para as mulheres e investimentos pelas mulheres.

 

Estou convicta de que a autonomia financeira das mulheres é o melhor meio de chegarmos onde quisermos e, principalmente, de não estarmos onde nos faz mal. Obviamente, investimentos são um reflexo da saúde e educação financeira e o ato de investir não se sustenta por si só. Porém, os investimentos em produtos financeiros com o intuito de salvaguardar um futuro, próximo ou distante, são a melhor ferramenta para essa autonomia.

 

E o que os números alertam sobre os investimentos feitos por mulheres? Segundo a pesquisa “Raio X do Investidor”, feito pela AMBIMA em parceria com o DATAFOLHA, 35% das mulheres entrevistadas investem seus recursos em produtos financeiros, em contraposição a 40% dos homens, sendo o produto preferido a caderneta de poupança (produto com menor rentabilidade oferecido pelo mercado que, muitas vezes, perde para a inflação).

 

A contraposição com o público masculino aqui tem um proposital: mulheres sofrem violências diárias e a disparidade social entre os gêneros se reflete em todas as estatísticas, desde as referentes a violência doméstica, passando pela discriminação no ambiente de trabalho, na sua admissão nas vagas disponíveis, nas remunerações, além de outras mais cotidianas.

 

Sentimos em nosso dia a dia a desigualdade constatada pelos números divulgados pela ONU e o quanto a discriminação de gênero influencia em nossa sobrevivência, segurança, conquistas e quallidade de vida. 

 

Durante séculos, a existência das mulheres foi acompanhada de crenças e direcionamentos que nos afastaram de temas alheios ao que “nossos papeis” nos reservavam, consistente resumidamente, no papel de cuidadoras. Até determinado momento nos proibiram de estudar, trabalhar, administrar nosso patrimônio, nossas decisões eram desconsideradas tanto quanto a de um menor de idade. Anos de (in) consciência coletiva desconsiderando nossa capacidade de sustento e de tomada de decisões não poderia passar incólume e até hoje nossa segurança financeira interna se abala e internalizamos, de alguma forma, esses comandos.

 

Porém, se por um lado, séculos de preconceito nos afirmam que finanças não são assunto de mulher, por outro percebemos que esse discurso não é real, além de ser anacrônico. Diariamente, assistimos mulheres comuns tomando decisões financeiras a respeito de suas finanças e a de terceiros, além das finanças empresariais. Atualmente não há nenhuma crença acerca do tema que resista a um mínimo de confrontação.

 

Por essa razão, nesse dia de reflexão a respeito das conquistas já alcançadas e do muito que ainda teremos que enfrentar, proponho uma reflexão: para além de nossa saúde física, mental e espiritual, essenciais para nossa qualidade de vida, o que você - e só você - pode fazer para, também, priorizar sua saúde financeira? O que você pode fazer para se apropriar das suas finanças, deixar de lado suas crenças incapacitantes e se empoderar da sua vida financeira, conduzindo-a para um caminho de autorrealização?

 

Hoje possuímos mais ferramentas do que jamais tivemos, que vão desde profissionais especializadas no tema  passando pelo acesso a informações em sites oficiais e livros, além de serviços que nem imaginávamos que seria possível. 

 

A provocação que deixo aqui é que possamos dar mais conta de nossa saúde financeira. Que, além de nossa saúde física, mental, espiritual e social, também possamos priorizar nosso conhecimento e desenvolver habilidades e hábitos que proporcionem a nossa realização através da nossa própria educação financeira. Não permita que sua vida financeira chegue no limite para se ocupar desse assunto.

 

Minha crença é que através da autonomia financeira de cada uma, de fato, poderemos fazer valer nossa verdade de que lugar de mulher é onde ela quiser.

 

Referências:

 

Juliana Caldeira e Teixeira, educadora financeira, advogada, profissional parceira e Diretora Financeira da AAF.

 

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