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Síndrome Alcoólica Fetal no Brasil

A síndrome é pouco conhecida, assim como as consequências para as crianças ao longo da vida. As sequelas do uso do álcool para o feto/bebê são graves e irreversíveis.



Nos últimos tempos, o alcoolismo feminino vem crescendo, e não se vê por parte do governo nenhum movimento para implementar políticas com o objetivo de atacar esse problema de saúde pública.



O alcoolismo ainda não é conhecido, reconhecido e encarado como uma doença pela sociedade de modo geral. Infelizmente, ele é negligenciado pelas autoridades. O senso comum ainda vê pessoas doentes de alcoolismo como irresponsáveis ou sem força de vontade. As mulheres sofrem ainda mais, pois sentem o preconceito e são cobradas por terem que dar conta da família, como se fosse mas únicas responsáveis por esse papel. Ao longo do tempo, foi construída a imagem de que a pessoa alcoolista é degradada e está na sarjeta, o que sabemos que nem sempre é verdade. Muitas pessoas doentes conseguem dar conta minimamente de suas responsabilidades, trabalhando e sendo responsáveis pelo seu sustento, mas nem por isso ficam livres da doença. Ocorre que muitas vezes a sociedade vê as pessoas que exageram na bebida ainda como se estivessem apenas passando um pouco da conta, mas não como doentes. Assim, a pessoa que já está doente também acredita ainda estar bebendo socialmente e não vê problemas com a perda de controle nem percebe a progressividade da doença.


Qual a relação entre o alcoolismo feminino e a SAF?


Primeiro, é importante esclarecer o que é essa sigla. SAF significa síndrome alcoólica fetal, uma doença congênita que tem comprometido milhões de crianças em todo o mundo. Essa síndrome é consequência do consumo de bebida durante a gestação. Quando mulheres utilizam qualquer quantidade de álcool durante esse período, o bebê recebe diretamente seus efeitos, pois ele ultrapassa livremente a barreira placentária. Não existe dose segura! Para que o bebê não seja prejudicado de maneira grave, a ingestão de bebida alcoólica durante a gravidez precisa ser ZERO. Portanto, não existe a possibilidade de “beber socialmente” para uma gestante.

Infelizmente, no entanto, um problema tão sério e que atinge diretamente uma parcela da população infantil, ainda não é levado a sério pelos governantes. E a síndrome é pouco conhecida, assim como as consequências para as crianças ao longo da vida. As sequelas do uso do álcool para o feto/bebê são graves e irreversíveis.


O indivíduo com SAF pode ser tratado e acolhido, mas os comprometimentos e as consequências que a síndrome acarreta não têm cura. As crianças que tiveram contato com o álcool na vida intrauterina muito provavelmente terão características como: má formação dos órgãos vitais e do cérebro, como microcefalia, atraso do desenvolvimento, deficiência intelectual (leve, moderada e severa), distúrbios do comportamento ou, ainda, outras questões médicas e sociais. Por isso, um trabalho de prevenção eficaz se faz tão necessário. As informações acerca desse tema também devem chegar aos bancos acadêmicos tanto na formação dos profissionais de saúde quanto dos profissionais da educação, para que se possa fazer além da prevenção, um diagnóstico correto e um atendimento pedagógico adaptado para esses comprometimentos, incluindo, assim, os estudantes no contexto escolar.


É importante que o governo invista na divulgação das consequências do uso do álcool na gestação. Políticas públicas devem ser elaboradas e colocadas em prática de modo urgente, para que se reduza significativamente o consumo dessa substância e o índice de nascidos com a SAF. É importante também um maior investimento nas políticas de pré-natal, em que a mulher usuária de álcool possa ser acolhida, informada e acompanhada pelos profissionais de saúde sem preconceitos e julgamentos. Nesse sentido, identificando uma mulher/gestante usuária do álcool, seu pré-natal deverá ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar que estabeleça um vínculo afetivo e principalmente de confiança.

Além da atenção às gestantes e ao pré-natal, se fazem necessários também o investimento na educação básica e na informação das crianças e dos adolescentes sobre o perigo do uso de álcool, no sentido de reduzir esse consumo entre esse público de um modo geral e principalmente pelas meninas grávidas precocemente.


O dia 9 de setembro foi escolhido como o dia mundial de prevenção da SAF com o objetivo de intensificar o debate sobre o assunto, para que a informação sobre essa síndrome seja cada vez mais difundida e a população de um modo geral possa ter acesso e colaborar com a prevenção. Porém, pela gravidade dessa síndrome e a consequência na vida de tantas crianças, é necessário que o assunto seja abordado não somente nesta data ou no mês de setembro, mas tenha atenção constante das autoridades e das comunidades científicas.


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Arte da capa: Aline Sarto


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Se você precisa de ajuda ou quer contribuir com nossa iniciativa, entre em contato conosco pelo site: www.associacaoaf.org


A Associação de Alcoolismo Feminino existe para ajudar mulheres em sofrimento pelas consequências de seu modo de beber, por meio de um espaço de acolhimento, compaixão e respeito, sem julgamentos nem preconceitos.





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