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Maternidade, Maternagem e alcoolismo - Parte 2

Atualizado: 28 de mai. de 2022

Por um longo período a cultura social determinou a maternidade como inerente ao gênero feminino, similar uma função inata. Hoje é possível dissociar essa concepção e determinar que a maternidade tende a possuir diversos sentidos concernentes a subjetividade de cada mulher, sendo, portanto, singular para cada uma.



DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

Entendemos que a partir do momento em que é concebida, a criança é submetida à diversas e novas experiências de vida, que lhe soarão como surpreendentes. Essas experiências podem tanto ser traumáticas quanto enriquecedoras, por isso é importante que sejam proporcionadas da melhor forma possível, oferecidas de maneira sadia. Em vista disso, podemos refletir sobre a influência negativa do álcool nesse processo tão importante.


Uma maternagem alicerçada por vínculos sadios e seguros perdurará e renderá em uma relação futura de respeito, responsabilidade, comprometimento e fortalecimento. Do contrário, uma maternagem comprometida pelo alcoolismo, pode gerar à criança danos em seu desenvolvimento social. Tornando-a insegura e despreparada para o mundo, ou agressiva, irritada, intolerante, frustrada e revoltada com a mãe.

Tais características relacionais são também fatores poderosos no desencadeamento do alcoolismo nas mães, em função de sua dificuldade de lidar com as especificidades e demandas dos filhos, de aceitar sua incapacidade de controlar a prole e aceitar sua ineficiência de protegê-lo frente ao mundo.

Tudo isso se deve ao fato de que infelizmente uma mãe adoecida pelo alcoolismo, inevitavelmente não conseguirá entregar como deseja e planeja o acolhimento, afeto e amparo, por mais que queira e muito tente.


As legítimas trocas afetivas entre mãe e filhos ocorrem através de uma relação fortalecida por anos de confiança e exemplos. Devido a isso é importante que seja levado em consideração a saúde mental e o bem estar das mães na criação de seus filhos e na criação desses vínculos, de modo que ambos não venham a ser acometidos por sofrimentos oriundos de um relacionamento disfuncional.


SÍNDROME DO NINHO VAZIO

No que diz respeito à uma maternagem fundamentada sob o espectro do alcoolismo, inevitavelmente tais disfuncionalidades relacionais se estenderão para outras fases da vida. Inclusive para a idade adulta, quando os filhos enveredam por outros caminhos, fazem outras escolhas e partem de suas casas.

Não é incomum que para uma mãe alcoolista se veja sendo abandonada, perdendo seu lugar na vida do filho, seu papel e pertencimento e principalmente suas chances de se redimir e fazer diferente. É como se a partida fosse a ida final, onde não há mais possibilidades de remediar e corrigir o que antes fora vivida. E tudo o que fica é a chamada “Síndrome do Ninho Vazio”. Quando a mãe se vê solitária em seu ninho, sem sua cria e sem seu papel principal para exercer.

Nesse estágio também são muitos os casos em que a doença do alcoolismo acometa de maneira abrupta essas mães e o melhor a ser feito para que isso não ocorra é ocupar-se com outros e novos papéis. Assumir novas personas, engajar-se em novas empreitadas. Reformar o ninho e fazer um jardim, uma sala de leitura...uma academia. Aceitar e permitir-se exercer outros papeis que ressignifiquem suas vidas e se valer da recuperação para restituir o vínculo com o filho que embora em um novo lugar, não deixou de ser sua cria.



RESSIGNIFICANDO SUA VIDA E RELAÇÕES COM SEUS FILHOS

Como vimos, no que tange a maternagem, a presença do alcoolismo está presente em seus mais diversos estágios.


Por isso são fundamentais acolhimento, amparo e uma rede de proteção à essas mães, de modo que o quanto antes entrem em recuperação possam desde cedo usufruir de uma boa maternagem e um vínculo sadio com seus filhos.

Após os dados aqui apontados, é de suma importância finalizarmos alertando que a maioria dessas mães são acometidas por um sofrimento e angústia inigualáveis e carregam consigo uma pesada carga de culpa, vergonha e responsabilidade.


Portanto, mais do que necessário, é fundamental ressaltarmos que a cada uma delas devemos respeito e reconhecimento, pois entregaram o que lhes era possível entregar e foram o que puderam ser. E acima de tudo o que merecem não é julgamentos ou sentenças, mas sim amor, afeto, empatia, solidariedade e a oportunidade de se recuperar.



A Associação Alcoolismo Feminino existe para ajudar mulheres em sofrimento pelas consequências de seu modo de beber, por meio de um espaço de acolhimento, compaixão e respeito, sem julgamentos nem preconceitos.

Se você precisa de ajuda para ressignificar sua vida e sua relação com seus filhos, entre em contato conosco pelo site: www.associacaoaf.org/queroajuda


Ou se quer contribuir com nossa iniciativa acesse aqui




Arte da Capa: Aline Sarto

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