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Tema XII: Escuta atenta

Muitas vezes, o álcool é usado para enfrentar a timidez, a dificuldade de se relacionar ou para evitar sofrimento, desconforto. Por isso, no início da recuperação, muitas pessoas têm a tendência de se isolarem. É importante buscar a socialização e a habilidade de ouvir pode facilitar esse processo. O objetivo da escuta é desenvolver habilidades para lidar com esses sentimentos e situações sem a presença do álcool.



É necessário estarmos atentas a nós mesmas para identificar os momentos ou hábitos de maior risco. Muitas vezes a nossa compreensão passa pelas nossas crenças e podemos acabar selecionando o que ouvimos, ignorando uma parte e intensificando outra, porque essas crenças distorcem nossos pensamentos, sentimentos e ações. Quando conhecemos nossas crenças podemos identificar quando elas estão atuando e limpar a nossa compreensão para podermos elaborar estratégias para evitá-las ou para lidar com elas de uma maneira que consigamos evitar a recaída.


Quando sabemos ouvir:

  • Temos a possibilidade de conhecer o outro, pois ele se sentirá mais seguro para falar.

  • Temos a oportunidade de solucionar diferenças, compreendendo e respeitando o ponto de vista do outro e o fato de que não precisamos pensar da mesma maneira, mas podemos encontrar uma solução que atenda a mim e ao outro.

  • Promovemos a aproximação das pessoas, entre elas, os familiares.

  • Desenvolvemos novas amizades e estreitamos relacionamentos.

  • Podemos ensinar ao outro a ouvir através do nosso exemplo.

  • Demonstramos interesse e compreensão através da empatia.


Ouvir com atenção e interesse, sem julgamento, com empatia e buscando compreender o que o outro está falando não é fácil mas temos algumas orientações para melhorar essa habilidade:


  • Use linguagem corporal que demonstre interesse, como: manter contato visual, inclinar o corpo ligeiramente para frente, tocar na outra pessoa, balançar a cabeça (atenção aos costumes culturais para não ofender a outra pessoa com um gesto que possa ser interpretado como fora dos limites).

  • Evite linguagem corporal que sinaliza desinteresse, como bocejar, balançar as pernas, ficar olhando para o celular, para o relógio ou outro lugar.

  • Atente-se para a linguagem não verbal do outro. Perceba se o tom de voz, os gestos, o comportamento corporal estão de acordo com o que está sendo falado.

  • Faça perguntas que incentivem a pessoa continuar a falar. Procure fazer perguntas abertas e evite perguntas fechadas.

  • Faça um comentário breve sobre o que está sendo comunicado (exemplo: estou percebendo que você está chateado, me fale mais).

  • Responda de forma empática, compartilhando sentimentos e acontecimentos semelhantes, mas sem interromper ou mudar o foco para si.

  • Valorize a experiência e os sentimentos que estão sendo compartilhados. Não diminua ou trate como sem importância. Não desqualifique os sentimentos de quem está falando.

  • Espere o momento oportuno para se pronunciar. Deixe o outro concluir sua linha de raciocínio.

  • Considere as dificuldades do outro, como a timidez, a ansiedade.

  • Comunique caso tenha alguma dificuldade em manter a atenção, para que não seja interpretada como desinteresse. Se tiver se distraído por algum momento, peça para repetir.

  • Considere a possibilidade de dizer, caso esteja num momento delicado, que você não está em condições de ouvir com a atenção que gostaria e procure passar para outra ocasião.


Exercícios:


  1. Procure lembrar de uma conversa recente e responda:

  • Que sentimentos a pessoa tentou expressar de forma verbal?

  • Quais os comportamentos corporais da pessoa?

  • Quais sentimentos ela demonstrou na linguagem corporal?

  • Como você demonstrou estar interessada na conversa?


  1. Pergunte sobre um evento recreativo ou reunião agradável que uma amiga tenha ido recentemente e depois responda:

  • De que maneiras você demonstrou interesse? Fazendo perguntas ou parafraseando o que foi dito?

  • De que maneiras você compartilhou experiências ou sentimentos semelhantes?

  • Que linguagem corporal você usou para demonstrar que estava ouvindo?


Pratique esses exercícios várias vezes! Vamos lá!




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Todas as atividades do nosso Baralho da Recuperação, divulgadas do dia 16 a 31 de dezembro, foram propostas durante o ano, em nosso grupo terapêutico de prevenção de recaídas, pela psicóloga e vice-presidente da nossa Associação, Cláudia Leiria (@psiclaudialeiria)


Referências Bibliográficas - São ótimas dicas de leitura e para presentear também!


  • Tratando a dependência de álcool - um guia de treinamento das habilidades de enfrentamento - 2ª edição. Autores: Peter M. Monti, Ronald M. Kadden, Damaris J. Rohsenow, Ned L. Cooney e David B. Abrams. Editora: Roca.

  • Conhecer-se é amar a si próprio - exercícios para desenvolver a autoconsciência e para realizar mudanças positivas e encorajadoras. Autores: Lynn Lott, Marilyn Matulich Kentz e Dru West. Editora: Manole.

  • Caderno de exercícios para cuidar de si mesmo - 3ª edição. Autora: Anne Van Stappen. Editora: Vozes.

  • Caderno de exercícios de inteligência emocional - 2ª edição. Autor: llios Kotsou. Editora: Vozes.

  • Caderno de exercícios para viver sua raiva de forma positiva. Autor: Yves-Alexandre Thalmann. Editora: Vozes.

  • Dinâmicas de grupo e atividades clínicas aplicadas ao uso de substâncias psicoativas. Organizadoras: Neliana Buzi Figlie e Roberta Payá. Editora: Roca.

  • Tratamento do uso de substâncias químicas - Manual prático de intervenções e técnicas terapêuticas. Organizadores: Ronaldo Laranjeira, Helena M. Takeyama Sakiyama e Maria de Fátima Rato Padin. Editora: Artmed.

  • Programa Terapêutico para o tratamento da dependência química. Autora: Luana Gama Wanderley Leite. Editora: Edições Loyola.



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A Associação Alcoolismo Feminino existe para ajudar mulheres em sofrimento pelas consequências de seu modo de beber, por meio de um espaço de acolhimento, compaixão e respeito, sem julgamentos nem preconceitos.


Se você precisa de ajuda, entre em contato conosco pelo site: ww.associacaoaf.org/queroajuda


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